domingo, 11 de janeiro de 2009

Metade

Que a força do medo que tenho, Não me impeça de ver o que anseio. Que a morte de tudo em que acredito, Não me tape os ouvidos e a boca. Porque metade de mim é o que eu grito, Mas a outra metade é silêncio. Que a música que ouço ao longe, Seja linda ainda que tristeza. Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada, Mesmo que distante, Porque metade de mim é partida, Mas a outra metade é saudade. Que as palavras que eu falo Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor, Apenas respeitadas, Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos. Porque metade de mim é o que ouço, Mas a outra metade é o que calo. Que essa minha vontade de ir embora, Se transforme na calma e na paz que eu mereço. Que essa tensão que me corrói por dentro, Seja um dia recompensada. Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso, Que eu me lembro ter dado na infância. Por que metade de mim é a lembrança do que fui, Mas a outra metade eu não sei.Que não seja preciso mais do que uma simples alegria, Pra me fazer aquietar o espírito. E que o teu silêncio me fale cada vez mais, Porque metade de mim é abrigo, Mas a outra metade é cansaço. Que a arte nos aponte uma resposta, Mesmo que ela não saiba. E que ninguém a tente complicar, Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer. Porque metade de mim é a platéia, A outra metade é a canção. E que a minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor... E a outra metade também.

Osvaldo Montenegro

Um comentário:

Unknown disse...

Oii.O seu Blogger esta mtu legal com essa letra d Osvaldo MOntinegro perfeita.Parabens!!
vai fik melhoo quando eu ver as suas poesias num meioo...kk
BjuS